Arte e Cultura,  Comportamento

Mães no cinema

Você já pensou que sua mãe parece uma personagem de filme?

 

Aquela história de que “mãe é tudo igual” talvez tenha um fundo de verdade, embora cada filho veja sua mãe como um ser único no mundo. O que provavelmente já aconteceu com quase todas as pessoas é ir ao cinema e reconhecer nas telas personagens com características que lembram essa pessoa tão especial.

Em homenagem ao mês das mães, selecionamos dez mães memoráveis de filmes, entre os mais diversos perfis e personalidades. Cada um desses papéis reflete aspectos como ternura, bravura, comicidade e sinceridade, todos presentes – de alguma forma ou de outra – na figura materna. Em qual deles será que a sua mãe se encaixa?

 

Mãe batalhadora

Linda Hamilton em O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991)

Quer mulher mais empoderada do que Sarah Connor? Pode ser que a sua mãe não saia por aí carregando armas e batendo em vilões com um par de bíceps bem definidos, mas o que fica evidente nessa emblemática mãe do cinema (interpretada por Linda Hamilton) é a força que a personagem demonstra para fazer o que for preciso para defender sua prole.

Na história, que é uma continuação de O Exterminador do Futuro (1984), Sarah Connor precisa escapar do hospício onde foi presa para ajudar um ciborgue do futuro a salvar a vida de seu filho adolescente, que irá se tornar o líder da revolução contra os robôs. Um dos fatores que traz identificação do público com a personagem é o fato de que, embora seja extremamente forte e corajosa, ela também é bastante vulnerável e humana.

 

Linda Hamilton em ‘O Exterminador do Futuro 2’

 

Mãe superprotetora

Julia Roberts em Extraordinário (2017)

Difícil não se emocionar com Julia Roberts interpretando Isabel Pullman, a mãe do extraordinário Auggie, um menino com deformidade facial que sonha em se tornar astronauta. Embora faça tudo para proteger o filho, ela também o ajuda a enfrentar a crueldade do mundo com muito carinho, atenção e paciência. Um verdadeiro exemplo do instinto materno, a personagem age como um pássaro que prepara seu filhote para sair do ninho e voar.

No longa, o pequeno Auggie passou a maior parte de sua vida sendo ensinado pela mãe, em casa. Ao ingressar em uma escola, ele precisa lidar com o bullying e o preconceito, ao mesmo tempo em que aprende que o processo de aceitação começa em si mesmo. O que a bem-intencionada mãe do menino acaba descobrindo é que ninguém pode evitar que as pessoas amadas sofram, porque isso faz parte da vida. É uma lição que toda mãe acaba aprendendo, eventualmente. Afinal, como muito se diz, os pais criam os filhos para o mundo.

 

Julia Roberts em ‘Extrardinário’

 

Mãe secreta

Cecilia Roth em Tudo Sobre Minha Mãe (1999)

A sensação de não conhecer direito a mãe ou o pai é algo comum na vida de muitos filhos, quando chegam à fase adulta. De repente, descobre-se que os pais não são infalíveis, que tiveram juventudes tão confusas quanto as nossas e que, muitas vezes, escondem segredos. As mães, em especial, são um tema recorrente na filmografia do diretor espanhol Pedro Almodóvar, mas nenhum filme retrata tão bem as complexidades da condição materna como este.

A história acompanha o jovem Esteban, que sonha em se tornar um escritor e deseja saber mais sobre a verdadeira identidade de sua segunda mãe, uma mulher transgênero, fatos esses cuidadosamente escondidos por sua mãe Manuela (interpretada com delicadeza por Cecilia Roth). Aos poucos, o passado vai se revelando e desmistificando estereótipos a respeito dos papéis maternos. O filme explora questões de gênero e de representação, ao mesmo tempo em que retrata as agruras da vida de uma mãe solteira que conheceu a tragédia de perto.

 

Cecilia Roth em ‘Tudo Sobre Minha Mãe’

 

Mães companheiras

Susan Sarandon e Julia Roberts em Lado a Lado (1998)

It takes a village to raise a child”. A expressão, que em tradução livre quer dizer que é preciso de uma vila para criar uma criança, significa que o trabalho de educar um ser humano para a vida envolve diversas pessoas, por isso muitas mães nos dias de hoje falam sobre a importância de uma rede de apoio – pais, amigos e familiares que possam “segurar as pontas” em momentos de dificuldade.

Neste filme comovente, Susan Sarandon interpreta Jackie Harrison, uma mulher diagnosticada com câncer terminal que precisa estabelecer uma relação com Isabel Kelly (Julia Roberts), a namorada de seu ex-marido e futura madrasta de seus dois filhos. Ao mesmo tempo em que Jackie luta com a necessidade de aceitar a morte prematura, ela cria laços de amizade maravilhosos com essa pessoa tão inusitada. Ao invés de rivais, as duas se descobrem companheiras na complicada tarefa da maternidade.

 

Susan Sarandon e Julia Roberts em ‘Lado a Lado’

 

Mãe desesperada

Jennifer Lawrence em Mãe! (2017)

O filme de Darren Aronofsky gerou muita polêmica na época de seu lançamento, já que o diretor precisou explicar a metáfora que pretendia passar com o roteiro. Na história, Jennifer Lawrence interpreta uma mulher grávida (a “mãe” do título) que trabalha na restauração de uma casa antiga e é constantemente ignorada pelo marido, um escritor que sofre de um bloqueio criativo. Quando inconvenientes visitantes aparecem na casa e começam a destruí-la, a trama toma um rumo bastante inesperado.

Embora o longa seja uma analogia à “mãe Terra”, que se encontra impotente perante sua própria destruição, ele também pode ser encarado como uma representação da fragilidade das relações familiares. Qualquer pessoa que faça parte de uma família sabe que às vezes há momentos de desespero e frustração, principalmente na tarefa materna de colocar os filhos sempre em primeiro lugar.

 

Jennifer Lawrence em ‘Mãe!’

 

Mãe divertida

Amy Poehler em Garotas Malvadas (2004)

Quando se trata da adolescência, o sonho de qualquer um seria ter uma mãe divertida como a Sra. George (interpretada por Amy Poehler) em Garotas Malvadas. A mãe da popular Regina George se descreve como uma cool mom (“mãe legal”) e age mais como uma adolescente do que a própria filha, já que está sempre com um drink na mão e adora dançar. Um pouco maluca e irresponsável, ela é o tipo de mãe que trata a filha como amiga. Quase nunca presente e nem sempre a melhor mãe do mundo, mas com certeza muito engraçada.

 

Amy Poehler em ‘Garotas Malvadas’

 

Mãe exigente

Piper Laurie em Carrie, A Estranha (1976)

Quando as mães ficam bravas, a vida dos filhos pode se tornar um verdadeiro filme de terror. O problema é se a mãe vai um pouquinho longe demais, como é o caso da personagem Margaret White (Piper Laurie), a mãe de Carrie no longa de Brian de Palma. A atriz foi indicada ao Oscar pelo papel dessa mãe opressiva e exigente, que acaba fazendo com que os poderes sobrenaturais da filha se manifestem.

No filme, as atitudes dominadoras da mãe se acentuam porque ela sente que está perdendo o controle de Carrie, um sentimento até normal nesse tipo de relação – porém, levado a extremos. Naturalmente, a pressão maternal sobre seus filhos vem de um desejo de que eles se tornem pessoas civilizadas e bem-sucedidas, o que não acontece com Margaret. Carrie, A Estranha teve um remake em 2013, no qual Julianne Moore faz o papel da mãe da protagonista.

 

Piper Laurie em ‘Carrie, A Estranha’

 

Mãe substituta

Jessica Chastain em Mama (2012)

Sem dúvidas, as mães estão entre as personagens mais retratadas nos filmes de terror. Este longa aborda o fato de que nem sempre é possível contar com uma presença materna; ou, quando ela existe, dificilmente é ideal. No caso das duas crianças dessa intensa história de terror, elas perdem a mãe de maneira cruel: assassinada pelo pai. Ele então tenta fugir com as meninas, mas acaba sendo morto por uma entidade misteriosa. As duas sobrevivem em uma cabana abandonada durante cinco anos, até serem encontradas e levadas para morar com os tios.

Jessica Chastain interpreta Annabel, a tia das meninas. Ao mesmo tempo em que precisa lidar com a inexperiência para assumir um papel de mãe, fatos estranhos começam a acontecer na casa. As crianças culpam a “mama” por esses acontecimentos. Com uma trama aterrorizante, que talvez seja melhor assistir segurando a mão de sua mãe, Annabel aprende a cuidar de filhas que não são suas, tendo que substituir uma figura materna que sequer é humana.

 

Jessica Chastain em ‘Mama’

 

Mãe revoltada

Paulo Gustavo em Minha Mãe É uma Peça – O Filme (2013)

Neste filme nacional, Paulo Gustavo interpreta Dona Hermínia, uma mulher de meia idade, divorciada e hiperativa. Considerada chata pelos próprios filhos, porque não larga do pé deles, ela acaba se revoltando e saindo de casa sem avisar ninguém, para visitar uma tia. O longa, adaptado de uma bem-sucedida peça de teatro, foi um grande sucesso de bilheterias no país e já tem uma continuação, sendo que a terceira parte da “saga” de Hermínia está prevista para lançamento no final deste ano.

As aventuras dessa mãe indignada com a ingratidão dos filhos garantem boas risadas, pelo talento cômico dos atores e porque é impossível não se identificar com a situação; afinal, quem nunca ouviu a mãe reclamando que a família não lhe dá o merecido valor? A verdade é que, em geral, elas estão certas, já que muitas mães sustentam sozinhas toda a responsabilidade de suas casas.

 

Paulo Gustavo em ‘Minha Mãe é uma Peça’

 

Mãe acolhedora

Dianne Wiest em Edward Mãos de Tesoura (1990)

Peg Boggs (vivida por Dianne Wiest) personifica o tipo de mãe que acolhe a todos, sejam eles filhos ou não. No filme de Tim Burton, ela encontra o jovem Edward Mãos de Tesoura sozinho em uma mansão decrépita e o leva para morar em sua própria casa. Com o passar do tempo, Edward se apaixona pela filha de Peg e se torna uma sensação local por suas habilidades como jardineiro e cabeleireiro, mas as maiores conquistas do protagonista certamente não teriam acontecido se ele não tivesse sido acolhido por Peg.

Caroline Thompson, roteirista do longa de Tim Burton, conta que jamais teria imaginado essa história se não fosse por sua própria mãe, que costumava levar pessoas carentes para casa, a fim de ajudá-las. Esse carinho incondicional, aliado ao instinto protetor, são características que – no final das contas – praticamente todas as mães parecem ter em comum.

 

Diane Wiest em ‘Edward Mãos de Tesoura’

 

 

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