Comportamento,  Economia e Mercado

As poderosas mulheres do mercado imobiliário

Cada vez mais, as mulheres conquistam espaço no competitivo e lucrativo mercado da corretagem de imóveis

 

Ao longo das últimas décadas, as mulheres têm ocupado o mercado de trabalho e obtido cada vez mais independência financeira. Houve uma evolução significativa no que diz respeito à atuação e participação feminina na força de trabalho, principalmente no segmento imobiliário. Até 1958, as mulheres eram proibidas de trabalhar como corretoras de imóveis, uma imposição determinada pelo artigo 37 do Código Comercial Brasileiro (Lei nº 556, de 25 de junho de 1850). Somente após a revogação desse artigo as mulheres passaram a exercer essa profissão no país. Além disso, foi apenas a partir de 27 de agosto de 1962 com a publicação do Estatuto da Mulher Casada, que as mulheres conquistaram, de fato, autonomia para trabalharem fora – antes disso, elas precisavam ser autorizadas pelos maridos se quisessem exercer qualquer atividade externa à vida doméstica.

Foi a partir da década de 1970 que a população feminina começou a representar forte presença no mercado de trabalho. Na profissão de corretor de imóveis, especificamente, essa representatividade se manifestou somente na década de 1990, época em que elas ocupavam cerca de 8% das vagas desse segmento, mas esse percentual vem crescendo de maneira constante. Conforme pesquisas do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci) e da Federação Nacional de Corretores de Imóveis (Fenaci), desde os anos 2000 até os dias de hoje, o número de corretoras mulheres aumentou em aproximadamente 150%. Uma pesquisa recente publicada pela Revista Exame indica que a força de trabalho feminina representa, atualmente, 48% do total de profissionais legalmente registrados na área. Essa participação não se restringe ao exercício da profissão de corretoras, mas a cargos de gerência e também a trabalhos em entidades de classe, como associações e sindicatos.

Na Esquema Imóveis, são 52 mulheres fortalecendo a equipe, que representam um percentual de 61,6% do total de funcionários da empresa. Esses números tão positivos se devem, em especial, a uma série de características culturalmente associadas ao sexo feminino, como detalhismo, comprometimento, proatividade, organização, criatividade e empatia – qualidades que podem ser muito úteis nos processos de captação, divulgação, negociação e vendas de imóveis.

Recentemente, as mulheres também tomaram a frente na busca por formação acadêmica e profissionalização no Brasil. Nos dias de hoje, elas já são o maior volume de ingressantes em faculdades e universidades no país. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o número de mulheres que frequentam o ensino superior supera o de homens em 11,6%. Considerando que um dos primeiros passos para quem deseja se profissionalizar no mercado imobiliário é obter o registro do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI), documento que requer curso superior ou técnico, as mulheres demonstram uma excelente perspectiva de futuro ao investir em sua educação e formação profissional.

Outro aspecto que tem impulsionado o sucesso de muitas profissionais do sexo feminino no mercado imobiliário é o fato de que, cada vez mais, o poder de compra e de decisão nas famílias tem sido transferido para as mulheres, principalmente no segmento residencial. Uma reportagem da revista IstoÉ aponta que as elas chefiam economicamente 45% dos lares brasileiros. Nesse contexto, compreender as demandas e desejos desse público consumidor é crucial para realizar bons negócios. A facilidade de muitas mulheres em se comunicarem e se relacionarem, além da capacidade de buscar soluções criativas, características frequentemente desenvolvidas devido a estímulos sociais e culturais, podem ser pontos a seu favor em uma negociação. Além disso, um mercado que pode contar com perfis diferentes de profissionais é capaz de se manter dinâmico, diversificado e inovador.

Entre as vantagens da profissão de corretor, além da possibilidade de altos ganhos em curtos períodos de tempo, está a igualdade de oportunidades: como a maior parte dos profissionais recebe comissões por suas vendas ou locações, mulheres e homens conseguem trabalhar em condições de igualdade no que diz respeito à compensação financeira. Para as mulheres com filhos, especificamente, os horários flexíveis da corretagem de imóveis permitem que elas se dediquem à família ou a quaisquer outras atividades sem prejudicar o desempenho profissional.

Embora este ainda não seja o cenário ideal para a maioria das mulheres, no que diz respeito ao reconhecimento de suas habilidades profissionais e competências humanas, muitas das barreiras enfrentadas no passado já foram ultrapassadas. A dupla jornada de conciliar a vida pessoal e a carreira ainda é um grande desafio, assim como o preconceito existente em uma sociedade estruturalmente machista. No entanto, há muito espaço para que a população feminina mostre o potencial de seu trabalho e, no que diz respeito a oportunidades, o mercado imobiliário já se encontra de braços abertos para recebê-las.

 

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